BRASÍLIA – A FENADADOS marcou presença ontem (07/04/2026) no lançamento da Campanha Nacional de Prevenção de Acidentes do Trabalho (CANPAT) 2026, realizado no auditório do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Com o tema focado na prevenção de riscos psicossociais, o evento serviu de palco para uma articulação direta da Federação com o alto escalão do governo federal em defesa dos trabalhadores de TI pública e privada.
Durante o evento, a FENADADOS expressou ao ministro Luiz Marinho a preocupação da categoria com o cenário crítico da Seguridade Social. Como representante de 2º grau dos trabalhadores que sustentam a infraestrutura tecnológica do INSS (tanto da Dataprev quanto de empresas particulares), a Federação alertou para o “tsunami” de demandas administrativas e judiciais que tendem se aproximar com o início da fiscalização da NR-01. O alerta refere-se a problemas de gestão e a um risco direto à dignidade da pessoa humana e à proteção social.
“É urgente pensarmos estratégias para aparelhar o INSS e a Dataprev. Novas demandas não podem ser absorvidas às custas do aprofundamento da situação crítica das filas ou do esgotamento físico e mental dos trabalhadores“, pontuou Márcia Honda, Secretária de Tecnologia da FENADADOS ao Ministro.
A Tecnologia como Solução, não como Barreira
A Dataprev possui a expertise técnica e o corpo funcional qualificado necessários para mitigar essa situação crítica. No entanto, a FENADADOS pontua que as soluções para o INSS não virão de fórmulas mágicas de mercado, mas do fortalecimento da empresa pública de tecnologia.
A federação considera preocupante observar o atual direcionamento tecnológico, que parece priorizar a entrega de dados e infraestrutura às big techs em detrimento do desenvolvimento de soluções nacionais e soberanas. Essa dependência tecnológica estrangeira retira do Estado a capacidade de resposta rápida e submete o cidadão brasileiro a lógicas de algoritmos privados e opacos.
Saúde Mental e o Efeito Cascata
O lançamento da CANPAT 2026 deu ênfase inédita aos riscos psicossociais — um dos eixos centrais de luta da nossa Federação. A Dra. Gisela Nabuco, procuradora do Trabalho, trouxe uma reflexão contundente sobre o adoecimento dos gerentes, destacando que o assédio e a sobrecarga geram um adoecimento mental em cascata, que compromete toda a estrutura organizacional e a saúde da base.
Essa visão foi reforçada pelo Deputado Federal Max Lemos, presidente da Comissão de Trabalho na Câmara. Para o parlamentar, a pauta da saúde está diretamente ligada à jornada: “Derrubar a escala 6×1 é melhorar a saúde do trabalhador”, afirmou Lemos, sob aplausos das entidades presentes.
Neste contexto, a FENADADOS alerta que para que haja atendimento adequado à população é preciso ter redução sustentável das filas de atendimento das demandas do INSS, compromisso que fora assumido por Lula em campanha passada. No entanto, isso não parece ser possível viabilizar-se, se continuarmos a:
- Privilegiar Big Techs: a captura da infraestrutura digital por corporações estrangeiras ameaça a soberania digital e a autonomia do Estado em gerir seus próprios serviços.
- Ignorar o Fator Humano: O sucesso de qualquer solução tecnológica depende de trabalho digno. Conforme destacado pela Dra. Gisela Nabuco e pelo Deputado Max Lemos no evento, o adoecimento mental em cascata e jornadas exaustivas são gargalos que a tecnologia sozinha não resolve.
- Precarizar a TI Pública: A terceirização e o sucateamento das estatais de tecnologia enfraquecem o papel estratégico do Estado no campo digital.
A FENADADOS defende um Plano Nacional de Soberania Digital que recupere o protagonismo das estatais de TI federais, estaduais e municipais como motores de inteligência do Estado. Precisamos de uma tecnologia voltada para o cidadão, desenvolvida por trabalhadores valorizados, e não de um modelo que transforma dados públicos em mercadoria para transnacionais.
Fortalecimento da Luta e Soberania
A participação da FENADADOS no evento reafirma os compromissos da nossa Tese:
- Defesa das Empresas Públicas: A Dataprev é estratégica para a soberania digital e para a garantia de direitos do povo brasileiro.
- Combate à Precarização: Não aceitaremos que a digitalização do Estado sirva de pretexto para metas inalcançáveis e burnout.
- Unidade Sindical: Estaremos vigilantes no Legislativo e junto ao Executivo para que o trabalho digno esteja no centro da era digital.
Acompanhe nossas redes para atualizações sobre o desdobramento desta conversa com o MTE.